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A ciência do relacionamento e do cuidado

Gestora de RH da IT Mídia, Cecilia Fedeli mantém em seu dia a dia de trabalho o mesmo propósito de quando era criança: relacionar-se com gente

Brincadeiras como Mãe da Rua e Siga o Chefe preenchiam os dias de Cecília Fedeli quando era criança. Fizesse chuva ou sol, os colegas da rua – ainda de terra batida – onde morava, na Vila Mascote, em São Paulo, garantiam companhia e diversão. “A gente era muito unido. Quando viajava para a praia com minha família, nas férias, não via a hora de voltar para brincar com meus amigos”, recorda a gerente de recursos humanos da IT Mídia.

Quinta de seis filhos, Cecília sempre esteve rodeada de pessoas. E foi o relacionamento com essa turma da infância que a motivou a escolher a psicologia como profissão. “Minha vizinha – sabe, vizinha de casa, que você pulava o muro para visitar? – é uma grande amiga até hoje. O pai era psiquiatra e a mãe era psicóloga. Convivi muito com eles e fui me interessando pela área”, conta ela.

Logo no segundo ano de faculdade, Cecília testou as especializações que poderia escolher após a graduação. Experimentou a almejada atividade em clínicas e hospitais, mas foi mesmo arrebatada por outro ambiente, o de recursos humanos, com o qual não percebia qualquer identificação até começar a estagiar. “É fascinante entender o comportamento do ser humano dentro do mundo corporativo, no qual há uma tendência de ‘crescer a qualquer custo’.”

Se, no passado, o RH foi visto de maneira míope, como responsável apenas por contratar ou demitir funcionários, hoje as coisas são bem diferentes. A área passou a ter papel estratégico, no sentido de desenvolver o principal insumo das empresas: gente. Ao mesmo tempo, tirar esse propósito do papel e torná-lo prática tem seus desafios. Cecília explica: “Nossa função é ajudar os executivos a se desenvolverem e terem melhores resultados. O desafio é enorme porque reunir todas essas gerações, com valores e objetivos diferentes, e fazê-las conviver em um mesmo espaço é muito difícil”.

Conhecer os valores da empresa e identificar se os colaboradores partilham dessa forma de pensar e agir são os primeiros passos para avaliar se as diferenças entre os indivíduos podem ser suplantadas por um objetivo em comum. “Se a pessoa não compartilha da cultura da companhia, ela não vai funcionar. Admiti-la será desgastante para ela e para a organização”, conta ela. Uma vez que a equipe está formada, é preciso trabalhar para que os profissionais desenvolvam habilidades que os levem ao crescimento e atingimento dos resultados. “Por isso, há uma demanda gigante por coaching. Os profissionais querem estar cada vez mais preparados para o ambiente corporativo”.

A percepção de que o capital humano é o que faz a diferença em todas as atividades de uma companhia, da equipe de vendas ao back office, permitiu uma mudança de visão sobre o RH, inclusive na IT Mídia, onde a área está absolutamente separada do departamento pessoal. Até pela natureza da empresa, que tem o relacionamento na essência de tudo o que faz, essa distinção de atividades fez todo o sentido.

Acostumada a apoiar colaboradores e gestores na delicada tarefa de dar feedback, uma das principais etapas na evolução de um profissional, Cecília sentiu-se muito frustrada, com os resultados da primeira pesquisa Melhores Empresas para Trabalhar GPTW, em 2014. “Foi o dia mais difícil da minha carreira”, lembra. Decepcionada, ela deu um passo para trás e afastou suas sensações pessoais a respeito da situação para agir, junto de Adelson, presidente da IT Mídia e supervisor direto do RH, da forma que sempre recomendou aos colaboradores: transformando fraquezas em forças.

As informações da pesquisa foram cruciais para a implementação de uma série de melhorias na empresa – desde reajuste de benefícios até a definição de encontros mensais de toda a equipe com Adelson, momento batizado de “Café com o Presidente”. A compensação pelo esforço veio em forma de crescimento da pontuação nos estudos seguintes.

“Nosso papel, na maior parte das vezes, é tentar fazer com que todo o mundo fique feliz. Que todos se sintam vistos, cuidados e respeitados”, diz Cecília. E é na relação com as pessoas que ela revive os doces dias de infância.

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